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Polícia investiga professora suspeita de deixar alunos dentro de lixo como castigo


Delegado diz que câmeras não registraram punições e que relatos das famílias são divergentes.

Uma professora de Restinga (SP) é suspeita de colocar alunos com idades entre 3 e 4 anos dentro do cesto de lixo e deixá-los amarrados por dez segundos, contados com a ajuda da classe, como forma de punição em casos de indisciplina.

O advogado Rui Engracia Garcia, que representa a docente, negou as acusações, afirmando que as mães querem prejudicá-la, depois que foram chamadas ao colégio para ter ciência de casos de indisciplina dos filhos.

A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar as denúncias, mas o delegado Eduardo Lopes Bonfim adiantou que as imagens das câmeras de segurança da sala de aula não registraram nenhum tipo de agressão por parte da docente.

Ainda de acordo com o delegado, inicialmente a versão das famílias era de que as crianças foram colocadas em cestos de lixo na sala de aula. Depois, as mães passaram a relatar que os "castigos" ocorreram no pátio, em sacos de lixo.

"Há contradições, porque, a princípio, disseram que isso ocorreu dentro da sala de aula. Agora, estão falando que a professora retirou os alunos da sala e fez isso no corredor. Ela pegaria a criança pelo pé, de ponta-cabeça, e enfiaria dentro de um saco", contou.

A Prefeitura de Restinga também instaurou uma sindicância para apurar o suposto castigo e informou que a educadora foi afastada do cargo, inicialmente por 30 dias. Caso a apuração seja estendida, o afastamento pode ser prorrogado por mais um mês.

Denúncia

O Conselho Tutelar foi o primeiro a receber as denúncias, em 19 de setembro, quando a mãe de um aluno de 4 anos relatou que o filho não queria mais frequentar a Escola Municipal de Ensino Básico (Emeb) Célia Teixeira Ferracioli porque estava com medo da professora.

O presidente do Conselho Tutelar, Adilson Paulino Rosa, contou que a família foi orientada a procurar a direção da creche e a fazer um boletim de ocorrência. Logo depois, outras duas mães foram à entidade com a mesma queixa contra a docente.

"Pela forma que chegou a nós, quando a criança tinha alguma atitude de indisciplina, ela pegava e colocava dentro do cesto de lixo, tampava e fazia os alunos contarem até 10, levando de uma forma que eles pensassem que se tratava de uma brincadeira", afirmou.

Ainda com base no relato das mães, Rosa disse que alguns alunos choravam muito e até se debatiam dentro do cesto de lixo. Quando isso acontecia, a professora retirava as crianças antes do término da contagem.

"Chegou até nós a informação de que algumas crianças gostavam, mas outras ficaram perturbadas com isso, relatando que não queriam mais ir à escola. Ela já tinha trabalhado a história do homem do saco e algumas crianças ficaram bastante assustadas", disse.

O conselheiro apresentou os fatos à Secretaria Municipal da Educação, que formou uma comissão de sindicância para apurar a conduta da professora. As famílias foram encaminhadas para acompanhamento psicológico na rede pública de saúde.

"Pelos relatos, isso ocorreu várias vezes, com várias crianças", disse Rosa. "Ela não tinha histórico de agressão, nada. Inclusive, ela tinha um bom conceito diante das mães. Profissionalmente, sempre foi uma profissional exemplar, até então", completou.

Em nota, a Prefeitura de Restinga confirmou que nunca havia registrado reclamações contra a professora, por parte de pais de alunos.

Família reclama

Tia de um menino de 3 anos que supostamente foi vítima dos castigos, a chef de cozinha Cátia Cardoso da Silva contou que a família desconfiou que algo estivesse errado quando o sobrinho disse que não queria mais ir à creche.

"Ele disse 'não, mamãe, não quero ir para a creche'. Daí, a minha cunhada perguntou por que e ele respondeu: 'a tia põe a gente no saco, amarra e conta até dez'. Ele disse que ela fazia isso com ele e com mais dois meninos", afirmou.

Diferente dos relatos que chegaram ao Conselho Tutelar, o menino contou que as agressões não ocorreram dentro da sala de aula, mas no pátio, em um local onde, segundo Cátia, não há câmeras de segurança instaladas.

"Na realidade, tem um período em que ela fica sozinha com as crianças, não fica com a ajudante. Tem um período de duas horas em que elas não ficam juntas, uma vai almoçar e a outra fica. Deve ter sido nesse período", disse a chef de cozinha.

Cátia afirmou que o sobrinho voltou a frequentar a creche, após o afastamento da professora. Entretanto, segundo a tia, um colega dele não vai às aulas porque tem medo de ser colocado no saco de lixo novamente.

"É um castigo que ela dava, uma forma de eles terem medo dela. Meu sobrinho é muito danado, mas como todas as crianças dessa idade. Ele ficou com pânico, tem problema respiratório, mas depois que viu que ela não está mais na classe, voltou para a creche", disse.

Investigação

Segundo o delegado Eduardo Lopes Bonfim, um inquérito foi instaurado com base nas denúncias apresentadas por duas mães à Polícia Civil. Entretanto, Bonfim disse que há muitas divergências nos relatos sobre o suposto castigo.

A educadora ainda não foi chamada a depor, mas o delegado confirma uma conversa informal com a docente e com a assistente dela. Ambas negaram as acusações. Bonfim disse também que analisou os vídeos das câmeras de segurança e não encontrou indícios de crime.

"Coincidentemente, isso ocorreu logo após a mãe de um desses alunos ser chamada na creche por um problema do filho, que fez xixi em outro menino. Inclusive, segundo essa professora, as duas crianças que teriam reclamado do fato são alunos meio problemáticos", afirmou.

Agora, o delegado convocará todos os envolvidos a prestarem depoimentos formais. Bonfim disse que também solicitará amostras dos sacos de lixo usados na creche, para avaliar se suportam o peso de uma criança.

"Vou, aleatoriamente, ouvir outras mães, de outras crianças que estão na mesma creche, para ver se alguma delas, depois dessa denúncia, falou alguma coisa para a mãe sobre a atitude da professora, ou reclamou de algum outro castigo", concluiu.

Defesa

O advogado Rui Engracia Garcia apresentou a mesma justificativa do delegado sobre as denúncias, destacando que funcionários da creche já prestaram depoimento à comissão de sindicância instaurada pela Prefeitura e negaram a aplicação dos castigos.

"Um dos meninos teria urinado em um colega, mostrado a genitália e a professora chamou a mãe, deu uma bronca. Passaram dois dias, a mãe foi à creche com essas acusações. Pode ser imaginação do menino", disse.

Ainda segundo o advogado, a educadora atua na rede municipal de ensino há oito anos e nunca houve nenhum registro de reclamações contra ela.

"Como o próprio delegado confirmou, as imagens dizem tudo e nada foi encontrado. Ela sempre foi muito respeitada pelas mães, muito querida pelos alunos. Nada aconteceu, é uma retaliação da mãe para prejudicá-la", concluiu.


Gazeta Web
Foto reprodução Gazeta Web

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