sexta-feira, 20 de maio de 2016

Engenharia química questiona a qualidade da água do Açude de Boqueirão

G1 PB
Foto reprodução G1 PB


Professora diz que é necessário um tratamento mais avançado.

Cagepa alega que sistema é suficiente.

O Açude de Boqueirão está com apenas 9,6% de sua capacidade. Com o nível de água cada vez menor, pesquisadores especialistas em tratamento de água estão preocupados com a qualidade da água do açude. Eles dizem que o tipo de tratamento feito hoje não é suficiente para purificar a água completamente. O reservatório abastece Campina Grande a mais 18 cidades da região.

Segundo a doutora em engenharia química e professora do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Weruska Brasileira, a potabilidade da água já pode estar comprometida devido à alta concentração de matéria orgânica e deve piorar com a chegada do volume morto. “O tratamento convencional para remover substâncias orgânicas refratárias dissolvidas não é indicado. A gente precisa de um tratamento mais avançado”, disse.

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Ainda de acordo com a professora, o tratamento da água de boqueirão feito na Estação de Gravatá não é suficiente para retirar as impurezas e garantir que ela seja própria para o consumo humano, o que pode trazer riscos à saúde, como problemas neurológicos, de fígado e câncer. “Essa água se acumulou há muito tempo, então acumulou também sedimentos poluentes que podem trazer alguns danos à saúde da população. A Estação de Tratamento de Gravatá é uma estação do tipo convencional, então ela vai ter dificuldade de remover alguns poluentes”, comentou.

Segundo a professora, a estação de tratamento, após receber o sulfato de alumínio, a água segue para tanques onde as impurezas ficam aglomeradas. Só então, a água segue para reservatórios onde os resíduos sólidos se depositam no fundo e a água da superfície é escoada para os filtros. São onze ao todo. Nos filtros, a água passa pelas camadas de pedras, cascalho, areia e carvão mineral. Por fim, a água desce por gravidade para ser misturada ao cloro.

A Gerência da Regional Borborema da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) garante que esse sistema utilizado é suficiente para deixar a água de Boqueirão nos padrões exigidos pelo Ministério da Saúde.

“O único padrão que esta alterado, que é bom que se informe que é uma característica da água de Boqueirão, é o cloreto. Os demais padrões, a Cagepa ainda consegue manter. Quando verificarmos que há uma alteração que não conseguimos mais, isso sera informado aos setores específicos da diretoria para que as decisões sejam tomadas em relação a esse ponto específico”, explicou o gerente regional da Cagepa, Ronaldo Menezes.

O volume do Açude de Boqueirão caiu 60% devido à estiagem. A estação de tratamento que processa a água que sai do manancial armazena hoje apenas 9,6% de sua capacidade, o que corresponde a pouco mais de 39 milhões m³ de água.







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