domingo, 20 de março de 2016

Médica quer contraceptivos gratuitos para reduzir partos entre adolescentes na PB

PB tem alto índice de gravidez na adolescência 
Portal Correio
Foto reprodução TV Correio


No Estado, dos mais de 41 mil partos registrados em 2014, 9,5 mil foram em meninas abaixo dos 19 anos. De acordo com a ginecologista Marta Finotti, SUS deveria oferecer o DIU e o implante de progesterona gratuitamente.

A quantidade de partos realizados em crianças e adolescentes entre os 10 e 19 anos virou motivo de preocupação para Paraíba. No estado, dos mais de 41 mil partos registrados em 2014, 9,5 mil foram em meninas abaixo dos 19 anos. Os números representam 23,3% do total de partos, deixando a Paraíba acima da média nacional, que é de 20%. Os casos de gravidez precoce podem ser evitados gratuitamente se o Sistema Único de Saúde (SUS) receber autorização e disponibilizar dois métodos contraceptivos que estão sob análise. Os números são do DataSus, por meio do Sistema de informações Hospitalares (SIH/SUS), de 2014.

De acordo com a ginecologista Marta Finotti, 85% dos casos de gestação em menores de 19 anos são de gravidez não planejada e podem ocorrer por conta de abusos ou relacionamentos amorosos sem proteção contraceptiva. Mas, segundo a ginecologista, mesmo que as menores se protejam e utilizem pílulas, podem ocorrer falhas na administração do medicamento e causar uma gravidez.

“O número de gravidez não planejada em adolescentes tem como fator a falta de proteção adequada ou a simples falta de qualquer método contraceptivo. A pílula do dia seguinte ou o anticoncepcional podem falhar ou podem ser administrados de maneira inadequada, com irregularidade do uso, diminuindo assim o poder de contracepção. O ideal é a utilização de contraceptivos que são colocados no corpo, como o dispositivo intrauterino (DIU) de progesterona ou o implante de progesterona, que trazem mais segurança a mulher”, contou a ginecologista.



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Segundo ela, tanto a implantação do DIU como do implante de progesterona foram solicitados pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) para que fossem disponibilizados no SUS, fornecendo um método contraceptivo mais seguro e gratuitamente.

Porém, o pedido de inclusão foi negado, preliminarmente, pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Contec).

“Para essas meninas que engravidam cedo, uma contracepção de longa duração, como é o caso do implante e do DIU, que garante a mulher até cinco anos de proteção, é o melhor método de prevenir a gestação não planejada. Os dois procedimentos podem ser realizados em posto de saúde, sem necessidade de hospitalização. Queremos que o SUS disponibilize isso gratuitamente para a população e ajude na prevenção da gravidez precoce”, disse a ginecologista Marta Finotti.

Métodos trariam mais saúde

Além de prevenir a gravidez, o DIU e o implante melhorariam a qualidade de vida das meninas. A ginecologista defende que a utilização diminui o sangramento menstrual e as cólicas.

“Além disso, eles são métodos que diminuem o sangramento menstrual, as cólicas menstruais, as dores de cabeça, vômitos e diminuem riscos de trombose, além de terem menos efeitos colaterais do que as pílulas. Também são reversíveis, podendo ser retirados a qualquer momento, sem intervenção cirúrgica, em um posto de saúde”, afirmou a médica.

Outro fator que melhoraria a vida das adolescentes é a diminuição do risco de morte. De acordo com a ginecologista, como boa parte das gestações em menores não são planejadas, muitas vezes, as meninas optam por interromper a gravidez com a utilização de métodos perigosos.

“Existem vários casos de meninas que têm a primeira menstruação e engravidam. A incidência de aborto nesses casos é de 35%, tendo risco de hemorragia, infecção e infertilização para o resto da vida, além do perigo de morte. Quando elas optam por levar a gestação adiante, essa gravidez precoce aumento o risco de hipertensão arterial, diabetes gestacional, pré-eclâmpsia e a mortalidade que é duas vezes maior por complicações em parto nessas meninas do que em mulheres acima dos 20 anos de idade. Com a utilização dos métodos que defendemos esses problemas seriam diminuídos”, contou a ginecologista.

Quanto menos precoce a gravidez, mais chances

Para a ginecologista, os métodos contraceptivos defendidos pela Febrasgo também dariam mais oportunidades de estudo e mercado de trabalho para as jovens. Atualmente, das meninas que engravidam com menos de 19 anos, 75% abandonam a escola e 57% não estudam ou não trabalham. Essa realidade, segundo a médica, causa dependência financeira dos pais e termina prejudicando a vida da adolescente.

“Essa meninas que engravidam cedo ficam dependentes dos pais ou dependentes de parceiros que, muitas vezes, são inadequados. O problema da gravidez precoce também está associado à falta de estudo. Quanto menos escolaridade, maior é o risco de uma jovem engravidar. Então, partindo do princípio da adoção do DIU e do implante no SUS, teríamos mais chances para essas meninas estarem na escola, se formarem, se dedicarem a conquistar uma vida profissional para, ai sim, formar uma família estruturada e com condições financeiras estáveis”, falou a ginecologista.

Ainda segundo a médica, as adolescentes devem pedir ajudar a família e buscar nos médicos o auxílio profissional para conseguirem o melhor método contraceptivo.

“As meninas devem fazer consulta ginecológica para que o médico possa passar o anticoncepcional mais adequado para ela. Mas lembrando que elas não podem esquecer de tomar o medicamento e buscar sempre a dupla proteção. Independente do método utilizado, seja pílula, DIU ou implante é indispensável o uso da camisinha. Juntos, a camisinha com qualquer outro método podem evitar a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis”, concluiu a ginecologista Marta Finotti.





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