sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

“Tento me distrair para não pensar no pior”, diz grávida de bebê com microcefalia na Paraíba

Bebê foi diagnosticado com microcefalia 
Portal Correio
Foto: Chico Martins




Moradora do distrito de Várzea Nova, na cidade de Santa Rita, na Grande João Pessoa - PB, a cesárea está marcada o dia 10 de janeiro, na Maternidade Cândida Vargas, na Capital.

 “Estou seguindo minha vida normal. Tento me distrair para não pensar no pior. Vou amar minha filha do jeito que ela vier. Que seja feita a vontade de Deus”, comentou Jennifer Silva, de 19 anos, que está no oitavo mês de gestação de Lounny Judish, que foi diagnosticada com microcefalia. Este será o segundo filho dela.

Moradora do distrito de Várzea Nova, na cidade de Santa Rita, na Grande João Pessoa, Jennifer dará a luz em um parto cesárea, que deverá ocorrer no dia 10 de janeiro, na Maternidade Cândida Vargas, na Capital. Segundo a obstetra da gestante, o bebê deve nascer e ir direto para a UTI, a fim de que se investigue definitivamente o que levou à microcefalia.

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Embora não tenha ainda havido uma confirmação de que a má formação do feto tenha relação com a causa da doença transmitida pelo mosquito aedes aegypti, a dona de casa disse que não teve nenhum dos sintomas da zika: manchas, coceira, estado febril. “Não me recordo de ter tido nenhum sintoma da zika. Foi a primeira coisa que a médica perguntou, mas, que eu me recorde, não tive febre, coceira e mancha pelo corpo. Meu primeiro filho é normal e saudável”, disse.

Um dos problemas enfrentados pela gestante é a decadência da Unidade de Saúde da Família (USF) do bairro onde mora. "A unidade de Várzea Nova é precária. Não tem nenhum medicamento. Preciso de sulfato ferroso e não tem. É lamentável", denunciou a grávida. 

A mãe, que já tem um filho de quatro anos, conta que a gravidez seguia normalmente até o sexto mês da gestação. “Quando fiz a ultrassom morfológica no sexto mês, veio o diagnóstico da microcefalia. De início, eu fiquei assustada porque a gente sonha com um bebê perfeito, mas depois fui abstraindo e estou levando a gravidez normalmente e está tudo bem comigo”, falou.

O caso de Jennifer é um dos 248 notificados de microcefalia na Paraíba que são investigados pela Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde do Estado. As ocorrências podem ter relação com o zika vírus, que é transmitido pelo mosquito aedes aegypti, o mesmo da dengue e da febre chikungunya.

Os serviços de referência no tratamento dos casos de alto risco são: Maternidade Cândida Vargas, Maternidade Frei Damião e Hospital Universitário Lauro Wanderley (em João Pessoa), Maternidade Peregrino Filho (em Patos) e o Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (Isea, em Campina Grande).

A Secretaria de Estado da Saúde, em consonância com Ministério da Saúde, orienta:

Às gestantes:

1. Terem a sua gestação acompanhada em consultas pré-natal, realizando todos os exames recomendados pelo seu médico;

2. Não consumirem bebidas alcoólicas ou qualquer tipo de drogas;

3. Não utilizarem medicamentos sem a orientação médica;

4. Adotarem medidas que possam reduzir a presença de mosquitos transmissores de doenças, com a eliminação de criadouros (retirada de recipientes que tenham água parada e cobertura adequada de locais de armazenamento de água);

5. Protegerem-se de mosquitos, adotando medidas como manutenção de portas e janelas fechadas ou teladas, uso de calça e camisa de manga comprida e utilização de repelentes indicados para gestantes;

6. A utilização do repelente tópico, considerando a possível relação entre o zika vírus e os casos de microcefalia diagnosticados no país. “Estudos disponíveis na literatura, conduzidos em gestantes durante o segundo e o terceiro trimestre de gestação e em animais durante o primeiro trimestre, indicam que o uso tópico de repelentes a base de DEET por gestantes não apresenta riscos”, diz Renata Nóbrega.

Aos gestores e profissionais de saúde:

1. O registro dos casos identificados de microcefalia, que se enquadram na definição de caso, deve ser realizado oportunamente, no formulário de Registro de Eventos de Saúde Pública referente às microcefalias neste endereço.

2. Todos os casos notificados, que cumprirem a definição de caso suspeito de microcefalia, deverão ser investigados para identificação oportuna da ocorrência de alteração do padrão de microcefalia em nascidos vivos no estado;

3. A notificação imediata no RESP não isenta o profissional ou serviço de saúde de realizar o registro dessa notificação no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc), por meio da Declaração de Nascido Vivo (DNV);

4. O atendimento das crianças que nasceram com microcefalia vem sendo realizado nos serviços de saúde da Rede de Atenção do Sistema Único de Saúde (SUS).

Quanto ao uso de repelentes ambientais, a utilização correta dos saneantes regularizados na Anvisa submete a população apenas aos riscos ambientais ocasionados pelo possível contato com as substâncias químicas presentes nas formulações. Tais riscos estão devidamente gerenciados pelas avaliações físicoquímicas e toxicológicas que a Anvisa faz para a aprovação de princípios ativos e produtos formulados. Cabe destacar que esses produtos não devem ser indicados ou utilizados diretamente em seres humanos, mas em superfícies inanimadas e/ou ambientes, seguindo sempre, com atenção, as orientações do fabricante.





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