sexta-feira, 6 de março de 2015

Mulher aplica golpe em rede social usando a doença do filho

Postagem feita por Kelle em uma rede social (Foto: Reprodução / Inter TV)

Mãe afirmava que filho de 10 anos precisava de cirurgia de urgência.

Apenas um grupo em rede social arrecadou R$ 4 mil.

Usuários de uma rede social ficaram revoltados depois que descobriram que estavam sendo vítimas de um golpe. Kelle Cristina, moradora de Montes Claros (MG), pediu ajuda na internet para arrecadar R$ 2 mil para o tratamento do filho de 10 anos, que sofre de toxoplasmose congênita.

A mulher fez o pedido mesmo recebendo esse valor mensal da Prefeitura de Itacambira (MG), desde 2014, após uma decisão judicial. Mas, a administração municipal alega que ela forneceu no processo um endereço na cidade, sem nunca ter morado no local. Porém, segundo a decisão judicial, a mulher rebece em Itacambira porque Kelle teria informado que na cidade onde ela reside não possui APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), onde a criança é atendida.

Kelle Cristina contava que o filho precisava fazer uma cirurgia de urgência no olho. Em uma postagem na internet ela chega a dizer que o procedimento não poderia acontecer, já que ela tinha conseguido arrecadar R$ 154.

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“Não dá tempo mas tô com o coração apertado mas vou deixar meu filho nas mãos de Deus se for pra tirar o olhinho dele, vamos ter q fazer isso... mto obrigada a quem mesmo contribuiu. Deus está com você Gabriel. Fiz o q tava ao meu alcance. Mi perdoa por não ter conseguido (sic).”

Uma mulher que não quer ser identificada, e faz parte de um grupo em uma rede social, conta que ficou sensibilizada com o pedido de Kelle Cristina, por isso, ela e as amigas se mobilizaram para arrecadar doações. “Ela usou das pessoas de coração bom para tirar dinheiro, usou de uma criança inocente.”

 As primeiras desconfianças surgiram depois que Kelle Cristina começou a divulgar laudos médicos na internet. Como não constavam datas nos documentos, algumas pessoas que acompanhavam o caso decidiram procurar pela clínica onde a criança supostamente faria a cirurgia, e foram informadas de que o único procedimento agendado em nome do menino foi marcado para 2012, e nem chegou a ser feito.

Depois de descobrirem uma possível farsa, a mulher foi procurada pelas pessoas que a ajudaram. “Ela confessou para alguém que printou e postou no grupo o pedido de desculpa, ela disse também que não sabia onde estava com a cabeça e que não agiu de má fé, mas isso não justifica o erro que cometeu”, fala outra mulher que não quer ser identificada.

“Eu errei sim mas ninguém mas vai acreditar em mi... por favor não mi denuncia pq meus filhos só tem a mim e pede pra elas não denunciar vou fazer de tudo pra devolver. Na verdade moro de aluguel e passo por mta dificuldade financeira (sic)”, escreveu Kelle Cristina para uma pessoa na rede social utilizada por ela para pedir a ajuda.

Um boletim de ocorrência foi registrado e, incialmente, o caso está sendo tratado como estelionato.

O problema de saúde da criança também fez com que a Justiça determinasse, em abril de 2014, que a Prefeitura de Itacambira arcasse com consultas médicas, remédios e fraldas do filho de Kelle Cristina. Taline Ramalho, secretária de Finanças do município, conta que são gastos mensais R$ 2 mil.

“Pagamos R$ 400 reais, mais as viagens para Belo Horizonte, três tipos de remédios, consultas, e 160 fraudas. E ela nunca prestou contas de nada, não sabemos como esse recurso foi utilizado”, fala.

A secretária também diz que Kelle Cristina e o filho nunca moraram em Itacambira. “Eles não têm vínculo com a cidade, ela usou o endereço de um ex-namorado no processo. Sabemos da necessidade do garoto, mas vamos acionar a Justiça porque eles não são daqui, portanto o tratamento é de responsabilidade do município onde eles residem”, complementa.

No endereço apresentado por Kelle para a Justiça, mora Maria do Rosário da Cruz, avó de outro filho de Kelle Cristina. A servidora pública afirma que a mulher nunca morou no local. Ela foi encontrada na casa onde mora, em Montes Claros, e disse que não iria falar sobre o assunto.

Mundo virtual x mundo real

O delegado da Polícia Federal, Pedro dos Santos, explica que há pessoas que criam dramas pessoais e familiares no “mundo virtual” e, que na verdade, não existem no “mundo real”.

“Quando tivermos diante de uma campanha beneficente é necessário que nos certifiquemos que situação de fato existe para que a nossa doação não seja utilizada para outro fim", completa.






G1 Grande Minas
Foto reprodução Inter TV

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