sábado, 3 de janeiro de 2015

Travesti é eleita presidente de Câmara Municipal e entra para história política da PB

Shirley no plenário da Câmara de Pilar

Mãe Shirley explicou que houve um acordo entre os partidos PT e PP, que integram a base aliada do governo municipal.

Eleito em 2012 com 273 votos, Geraldo Costa da Silva (PP), 53 anos, mais conhecido como ‘Mãe Shirley’, se tornou a primeira travesti eleita vereadora na história na Paraíba, pela cidade de Pilar, a 52 km de João Pessoa. Quase três anos depois, ‘Mãe Shirley’ surpreende e é eleita presidente da Câmara dos Vereadores local, quase por unanimidade. A eleição ocorreu no dia 1 de janeiro deste ano. Uma casa legislativa ser presidida por uma travesti deve ser o primeiro caso no estado e no Brasil.
 
Durante entrevista ao Portal Correio, a travesti explicou que houve um acordo entre os partidos PT e PP, que integram a base aliada do governo municipal. “Houve um consenso entre os partidos e meu nome foi colocado como favorito. Tive seis votos, contra uma abstenção, e dois contra”, resumiu. 

Shirley tem uma história de superação e solidariedade na cidade. Integrante do candomblé há 39 anos, ela trabalha desde a adolescência e tem muitos serviços prestados nas comunidades carentes de Pilar. Técnica de enfermagem por formação contribuiu para o bom atendido no único hospital de cidade, o que lhe rendeu o slogan na campanha eleitoral de “Saúde em primeiro lugar”.

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Sobre os novos projetos, a travesti disse que vai continuar a defender a bandeira de combate a homofobia, melhoria nos serviços públicos em prol da população. “Vou fazer uma gestão democrática. Vamos fazer nosso papel de fiscalizar o dinheiro público e lutar e votar projetos que beneficiem a população. O combate a homofobia e a inclusão do ensino religioso nas escolas municipais serão alguns dos nossos projetos futuros”, adiantou ‘Mãe Shirley’.

Apesar dos poucos votos recebidos, a impressão de quem acompanha Shirley pelas ruas é a de que toda a cidade votou nela. Discreta, ela sempre chamou a atenção por andar pelas ruas usando roupas brancas e acessórios femininos. “ Todo mundo me conhece aqui em Pilar. Crianças, adultos e idosos quando passo acenam e falam: “Oi, mãe Shirley”, comentou.

Sorridente, Shirley disse que muitos têm dúvidas sobre como se referir ao falar com ela: travesti, gay, homossexual, ele ou ela. “Não escolho etiquetas. Todo mundo sabe da minha orientação sexual e religiosa e não escondo de ninguém. Sou super bem resolvida, quanto a isso. Sou conhecida como ‘Mãe Shirley’ devido a minha posição no candomblé”, avisou. 





Portal Correio
Foto reprodução Portal Correio

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