quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Professor da PB usa versão funk do Hino Nacional em projeto e vira alvo de ofensas na internet; Veja o vídeo.

Ao centro, professor comanda coreografia do projeto
Ele disse que acionou advogado para se proteger de ataques; especialista falou que não há nada errado em utilizar o Hino do Brasil em outras versões, mas lei federal fala em contravenção.

Graduado em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba em Guarabira, no Brejo paraibano, o professor Alan Oliveira, de 25 anos, causou polêmica nas redes sociais ao criar uma coreografia em cima de uma versão funk do Hino Nacional que está disponível no Youtube. Ele formou um grupo de nove alunos da Escola Senador Humberto Lucena, em Cacimba de Dentro, a 160 km de João Pessoa, para desenvolver o projeto.

O vídeo foi gravado na noite de terça-feira (9), dentro do calendário da 10ª Amostra Cultura, Científica e Tecnológica (ACCTEC), que seguiu até o dia 12, e foi publicado na página do professor no Facebook no dia seguinte. Só no perfil dele, foram mais de 4,1 mil curtidas, 30 mil compartilhamentos e 10 mil comentários, até esta terça-feira (16). Da mesma forma que recebeu elogios e foi ovacionado por muitos, também sofreu duras críticas e ofensas de vários outros.

Sobre os comentários ruins, Alan disse que teve que buscar ajuda de um advogado para se proteger dos ataques e garantir que não estava cometendo nenhum crime.


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“Quando desenvolvi a ideia, pensei no pluralismo cultural do Brasil. O funk faz parte da nossa cultura e a proposta foi muito bem recebida pela direção da instituição, assim como pela população de Cacimba. A escola é um ambiente onde cabem essas discussões sobre diversidade"
Já sobre a repercussão positiva do vídeo, ele disse que ficou muito feliz com as manifestações de apoio, inclusive por meio da comunidade Tô Com Alan, que reúne pessoas que concordam com a proposta do professor e divulgam mensagens positivas acerca da ideia.
“Não fiz nada para promoção pessoal. Meu objetivo é mostrar cultura e os diversos caminhos propostos pela educação. Quero encontrar outras pessoas que pensem da mesma forma e tenham ideias semelhantes para que possamos desenvolver mais propostas desse tipo”, explicou.
Alan Oliveira é professor há cinco anos. Natural de Solânea, a 130 km de João Pessoa, ele se mudou para Cacimba de Dentro para dar aulas, onde leciona para cerca de 500 alunos de 18 turmas, além de ensinar no Pronatec.
Apesar de ser graduado em Letras e ensinar inglês e espanhol, ele disse que passou a ter contato com a dança depois de cursos em Campina Grande e tem como grande sonho desenvolver mais propostas para a educação, inclusive com a construção de uma escola modelo na cidade onde nasceu.
Repercussão

Entre os comentários, os usuários utilizaram argumentos de que haveria algum crime ou irregularidade em utilizar uma versão diferente da original para o Hino Nacional. Além disso, no meio dos elogios e das mensagens de apoio, alguns internautas fizeram comentários grosseiros e sem nenhuma informação que justificasse uma infinidade de opiniões desrespeitosas contra o trabalho do professor e também contra o funk.
O advogado Felipe Negreiros, especialista em Direito Penal e professor da mesma área na Universidade Federal da Paraíba, disse que não há nada de errado em utilizar versões diferentes do Hino Nacional para manifestações culturais, como a que foi exposta pelo professor Alan Oliveira.

“Não há problema algum do ponto de vista criminalista. Artistas como Fafá de Belém, por exemplo, apresentaram o Hino Nacional de uma forma diferente e isso nunca foi considerado crime.” Sobre o funk, o advogado ainda completou. “O funk é uma forma de expressão cultural e deve ser respeitada como qualquer outra”.
De acordo com o artigo 34 da lei federal nº 5.700/71, "é vedada a execução de quaisquer arranjos vocais do Hino Nacional, a não ser o de Alberto Nepomuceno; igualmente não será permitida a execução de arranjos artísticos instrumentais do Hino Nacional que não sejam autorizados pelo Presidente da República, ouvido o Ministério da Educação e Cultura".
No capítulo 6 da mesa lei, que dispõe sobre as penalidades, diz que "a violação de qualquer disposição desta lei é considerada contravenção, sujeito o infrator à pena de multa de uma a quatro vezes o maior valor de referência vigente no País, elevada ao dobro nos casos de reincidência".








Portal Correio

Foto reprodução arquivo pessoal

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